Joanna de Angelis no livro "Autodescobrimento", faz menção às metas humanas, que de acordo com ela, "precisam apresentar-se ser multifacetadas, para que as realizações morais - metas relevantes - evitem a desumanização, a robotização do ser".
Ou seja, convém que façamos um planejamento que envolva todas as áreas que nos compete atuar.
A respeitável orientadora chega a apresentar algumas dicas: "... apresentando metas educacionais, familiares, sociais, econômicas, artísticas e espirituais".
Então, um check-list pode ser útil para que não venhamos a deixar algum assunto de fora. Portanto, ao fazermos nosso projeto para o novo ano, vamos contemplar as seguintes áreas:
- Espiritualidade
- Afetividade
- Cultura
- Família
- Finanças
- Lazer
- Saúde
Algumas pessoas só possuem metas espirituais. Esquecem que se estamos encarnados neste planeta, temos de viver com intensidade esta experiência reencarnatória, sob pena do aprendizado ficar muito a desejar.
Veja um conto que ilustra com propriedade esta questão.
Cinco discípulos viajaram por muitos dias para receberem os ensinamentos de um Mestre a respeito de iluminação.
- Iluminação é uma peneira cheia de água... ouviram o Mestre mansamente lhes dizer logo no seu primeiro encontro. Confusos e de certa forma decepcionados com tal ensinamento, arriscaram uma pergunta:
- E o que deveremos fazer para nos iluminar?
- Ora, é muito simples: encham as suas peneiras de água! respondeu-lhes o Mestre em tom categórico.
Visivelmente insatisfeitos com o Mestre, dois deles partiram imediatamente, lamentando terem vindo de tão longe para ouvir esse disparate. Outros dois também regressaram logo, mas, ao contrário dos anteriores, foram convictos de que havia um significado oculto nas palavras do Mestre, que eles deveriam desvendar através de um meticuloso estudo dos Textos Sagrados.
Apenas um deles resolveu por em prática o ensinamento do Mestre. Apanhou, pois, uma peneira e foi para a beira do rio, onde, pacientemente, hora após hora, dia após dia, tentou de todas as maneiras enchê-la de água, como o mestre havia recomendado.
Reconhecendo o esforço e a humildade do discípulo, certo dia o Mestre aproximou-se dele e, tomando a peneira da sua mão, disse:
- Apanhando um pouquinho de água de cada vez e despejando dentro da peneira, você nunca conseguirá enchê-la de água. E num gesto rápido, lançou a peneira na correnteza do rio.
Ao ver sua peneira encher-se de água - para nunca mais se esvaziar – o discípulo se iluminou daquele conhecimento.
Para eu viver a vida inteiramente é preciso que eu me entregue à Vida, inteiramente.
Que eu me renda ao aqui e agora, sem os conflitos de certo e errado, bom e mau, ou seja lá do que for.
Inútil eu tentar fugir ou buscar significados ocultos para os fatos da minha Vida.
Só mergulhando neles eu poderei saber o que a Vida é e desfrutá-la integralmente, sem julgamentos de qualquer espécie.
Por desatenção ao presente, o que eu percebo da Vida - e consequentemente o que recebo dela -
são apenas "migalhas", lances esparsos e quase sempre confusos do que está ocorrendo dentro e fora de mim.
Enquanto isso, mesmo comigo ausente em tudo, minha vida não pára de "viver".
Daí a incômoda sensação que dá de que algo está sempre me faltando; A terrível sensação de que, a despeito de todos os meus grandes "esforços", minha peneira continua vazia...


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